Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou
Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
Me confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar
Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
No final da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio
Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dá um pouco de atenção
Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não tá com nada
É uma festa na prisão
Nosso tempo é bom
Temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar
Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto
Na escuridão do quarto
(Mulher sem razão - Adriana Calcanhoto)
quinta-feira, 29 de maio de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Inexplicando
Por que é que eu gosto de você?
Como é que eu vou dizer?
Como é que eu vou entender?
Como é que eu vou verter?
Se as maneiras me evitam
As palavras não imitam
As idéias não indicam
A música que assovia o coração
O coração?
Esse só responde com brilho
Desde que você chegou é assim:
Melodia escorrendo dos olhos
Alegria enfeitando o meu colo
Sintonia do começo ao fim
Por que é que eu gosto de você?
São cem razões e sem senões
Duzentas vezes o que eu não sei dizer
E uma só vez o que eu não canso de sentir
Como é que eu vou dizer?
Como é que eu vou entender?
Como é que eu vou verter?
Se as maneiras me evitam
As palavras não imitam
As idéias não indicam
A música que assovia o coração
O coração?
Esse só responde com brilho
Desde que você chegou é assim:
Melodia escorrendo dos olhos
Alegria enfeitando o meu colo
Sintonia do começo ao fim
Por que é que eu gosto de você?
São cem razões e sem senões
Duzentas vezes o que eu não sei dizer
E uma só vez o que eu não canso de sentir
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Cada vez más de cerca ...
Para T.C.P.S
"Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua."
(Julio Cortázar, Rayuela - Cap.7)
"Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua."
(Julio Cortázar, Rayuela - Cap.7)
terça-feira, 6 de maio de 2008
Um lugar pra ficar
Quando cheguei nesse lugar desconhecido, meus pés vibraram ao primeiro contato. Ali, logo na entrada, fui sentindo uma leveza, um não sei quê de poesia, talvez uma alegria. Com a chave menor, você abriu o primeiro portão. Minhas mãos ansiosas, nervosas, desabrocharam. Aliás, depois de aberto o segundo portão, eu vi que havia rosas. E não tinham sido compradas em loja. Estavam plantadas, regadas, sadias. Junto à penúltima porta, eu quase me espanto: estava tudo lustrado, tão ordenado, tudo tão limpo e cheiroso! Tudo pronto para um inesquecível encontro. Cada coisa em seu lugar, cada móvel em seu pedaço, cada luz em seu espaço. Era tanta harmonia que até parecia dia. Sabe dia ensolarado com cheiro de mato? Desses que a gente não quer perder sem amar alguém? Mas já era noite. Estrelada e de lua crescente, decerto. Mais do que os casacos dobrados e os sapatos guardados, susto mesmo me causou seu coração: tão certo, tão decidido, tão sem receios, tão sem rodeios. Lugar luminoso esse seu coração! Amplo, arejado, bem desinfetado e com vista panorâmica para o meu. Não é nem calmo, nem irrequieto, nem simples, nem complexo; é um coração disposto. E, por isso, raro. Não sei o que mais nele encontrei (se é que precisasse), só sei que fui sentindo uma vontade grande de ficar, de conhecê-lo, de aquecê-lo. E você, sem pedir fiador, com esses olhos de riso, tem aberto os caminhos. Defuma os cantos, repõe as telhas e me mostra cada ângulo em que bate sol. E eu, que cheguei só pra dar uma espiadela, resolvi colocar minha rede bem no meio e viver no seu aconchego. Agora, só me resta fazer um pedido, afinal você bem sabe que inquilino novo tem mania de tudo mudar, de tudo ajeitar. Deixa, não, tá?! Seu coração é tão bonito assim! Ah, também não quero as chaves. Porque desse jeito, você terá sempre que abri-lo pra mim.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Nosso
Estranhamente, este não estava no blog. Que bom que você não acredita em coincidências! Já que gostou tanto, agora é todo SEU.
Para T.C.P.S.
Seu
Arrebate meu coração
Leve-o pra onde quiser
Arremate-o!
Esconda o meu olhar entre os seu pêlos
Minha boca entre os seus anseios
E as minhas mãos ... não precisa, entranhadas estão
Respire meu pensamento
Sorva cada gota da minha sede
Tateie o meu calor
Amplifique a minha voz
Modifique a minha dor
Retire, eleve, transforme
Tudo que ainda restar
Tudo que ainda quiser
Tudo de que, sem escolha, eu dispuser
Não quero nada em troca
Não é uma troca; não tenho escolha
Só não quero me esquecer do seu gosto
Me esquivar do seu cheiro
Nem perder os sentidos
Só não quero ter que lembrar
E não quero, de jeito nenhum,
Que me entregue de volta
É tudo seu
E, só assim, pode continuar a ser meu
Para T.C.P.S.
Seu
Arrebate meu coração
Leve-o pra onde quiser
Arremate-o!
Esconda o meu olhar entre os seu pêlos
Minha boca entre os seus anseios
E as minhas mãos ... não precisa, entranhadas estão
Respire meu pensamento
Sorva cada gota da minha sede
Tateie o meu calor
Amplifique a minha voz
Modifique a minha dor
Retire, eleve, transforme
Tudo que ainda restar
Tudo que ainda quiser
Tudo de que, sem escolha, eu dispuser
Não quero nada em troca
Não é uma troca; não tenho escolha
Só não quero me esquecer do seu gosto
Me esquivar do seu cheiro
Nem perder os sentidos
Só não quero ter que lembrar
E não quero, de jeito nenhum,
Que me entregue de volta
É tudo seu
E, só assim, pode continuar a ser meu
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Porque escrever é assim ...
Ah!
Não pode usar qualquer palavra
Então é por isso que não dava
Eu tentava, repetia, achava lindo e colocava
Se não cabe, se não pode
Tem que trocar de palavra
Ah!
Mas é tão boa essa palavra!
Carregada de sentido com um som tão delicado
Agora eu vou ter que trocar?
Ah!
Vá se danar!
Ah! Tem que caber?
Ah! Ninguém repara
Ah! Tem que entender?
Ah! Mas tá na cara
Então muda?!?
Han... han...
Hum
Chiiii
Ai ai ai ai ai ai ai
Han?
Haa tá
Nossa! É isso?!
Hei! Hou!
Ara!
Ah!
(Luiz Tatit)
Não pode usar qualquer palavra
Então é por isso que não dava
Eu tentava, repetia, achava lindo e colocava
Se não cabe, se não pode
Tem que trocar de palavra
Ah!
Mas é tão boa essa palavra!
Carregada de sentido com um som tão delicado
Agora eu vou ter que trocar?
Ah!
Vá se danar!
Ah! Tem que caber?
Ah! Ninguém repara
Ah! Tem que entender?
Ah! Mas tá na cara
Então muda?!?
Han... han...
Hum
Chiiii
Ai ai ai ai ai ai ai
Han?
Haa tá
Nossa! É isso?!
Hei! Hou!
Ara!
Ah!
(Luiz Tatit)
Procura-se!
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
(Poema em linha reta - Álvaro de Campos)
Onde é que há gente no mundo?
(Poema em linha reta - Álvaro de Campos)
Professorando
Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino.
(Paulo Freire)
(Paulo Freire)
domingo, 6 de abril de 2008
Doce melodia
Com a unha suja de barro
Os pés descalços
E um sorriso de lado
Eu vou, se você quiser
Faz tempo que o meu laço de fita se soltou dos cabelos
Viajou pelo ar, ensaiando uma dança
Esperando você chegar perto
Pra poder te abraçar, se enroscar devagar
E se essa coreografia
Te trouxer pra junto de mim
Nossa música vai começar
Com a mão enlaçada na tua e um gesto de corpo
Eu te chamo pra ir ver o mar
E se tiver lua cheia e a maré serenar
No meio da noite, sob um céu estrelado
Eu vou sentir, de novo, o teu ritmo
Pulsando sobre a minha melodia
Os pés descalços
E um sorriso de lado
Eu vou, se você quiser
Faz tempo que o meu laço de fita se soltou dos cabelos
Viajou pelo ar, ensaiando uma dança
Esperando você chegar perto
Pra poder te abraçar, se enroscar devagar
E se essa coreografia
Te trouxer pra junto de mim
Nossa música vai começar
Com a mão enlaçada na tua e um gesto de corpo
Eu te chamo pra ir ver o mar
E se tiver lua cheia e a maré serenar
No meio da noite, sob um céu estrelado
Eu vou sentir, de novo, o teu ritmo
Pulsando sobre a minha melodia
Um sonho
Eu queria dormir e sonhar
Mas só se fosse um sonho bom
Eu queria acordar e sonhar
Mas só se fosse um sonho de amor
Mas só se fosse um sonho bom
Eu queria acordar e sonhar
Mas só se fosse um sonho de amor
Mais um adeus ...
Passarinho
Gatinho Cetim
O cachorro voltando da carrocinha, na sacola de feira
Honestidade
Trabalho
Punhados de balas
Balanço no quintal
Parque Nabuco
Zoológico
Visita aos tios mais velhos do interior
Comedimento
Honra
Rigidez
Disciplina
Roupa cheia de tinta de parede
Bigode
Ovo de páscoa escondido no Domingo
Natal mais feliz da infância
Fusca caramelo
Dança no quintal
Pinguinha pra abrir o apetite
Bronca
Zanga
Gatinho Cetim
O cachorro voltando da carrocinha, na sacola de feira
Honestidade
Trabalho
Punhados de balas
Balanço no quintal
Parque Nabuco
Zoológico
Visita aos tios mais velhos do interior
Comedimento
Honra
Rigidez
Disciplina
Roupa cheia de tinta de parede
Bigode
Ovo de páscoa escondido no Domingo
Natal mais feliz da infância
Fusca caramelo
Dança no quintal
Pinguinha pra abrir o apetite
Bronca
Zanga
Melancia
Abacate
Limoeiro
Tirinhas de cana geladinhas
Nelson Gonçalves
Altemar Dutra
Kojak
Filmes de Bang Bang
Histórias da roça
Aulas de direção
Resgate dos castigos dos pais
Proteção
Família
Amor
Sentido
É tudo isso e mais um monte de coisas inexprimíveis que me fazem guardar pra sempre a lembrança do melhor avô do mundo. Foi você quem, sem ter acesso ao mundo dos livros, um dia, sem saber, me abriu o mundo da poesia, me colocando no colo e cantando assim:
Eu tenho um gatinho
Chamado Cetim
Alegre e mansinho
Que gosta de mim
Bem cedo na cama, vem ele, "miau"
Tanto me chama, que até fica mal
Cetim me obedece
De bom coração
Eu fico com medo
E não tenho razão
Obrigada!
Nelson Gonçalves
Altemar Dutra
Kojak
Filmes de Bang Bang
Histórias da roça
Aulas de direção
Resgate dos castigos dos pais
Proteção
Família
Amor
Sentido
É tudo isso e mais um monte de coisas inexprimíveis que me fazem guardar pra sempre a lembrança do melhor avô do mundo. Foi você quem, sem ter acesso ao mundo dos livros, um dia, sem saber, me abriu o mundo da poesia, me colocando no colo e cantando assim:
Eu tenho um gatinho
Chamado Cetim
Alegre e mansinho
Que gosta de mim
Bem cedo na cama, vem ele, "miau"
Tanto me chama, que até fica mal
Cetim me obedece
De bom coração
Eu fico com medo
E não tenho razão
Obrigada!
segunda-feira, 10 de março de 2008
Ainda
Ainda pensando porque ainda você. E a imagem que fica é sempre a do teu olhar. Tenho medo de plagiar Machado, mas não tenho culpa de você ter esses legítimos olhos de ressaca. Uma breve pesquisa, nada literária: Calcula-se a ressaca do mar, subtraindo-se a maré astronômica normal da maré dos períodos de tempestade. Normalidade? Tempestade? O que isso tem a ver com você? Comigo? Com nós dois? Aliás, nós dois??? Esquece! São mesmo os teus olhos de ressaca. E, claro, o auxílio luxuoso de um pandeiro.
Você pra mim
Eu nem sei mais o que é:
Vontade?
Teimosia?
Burrice?
Melhor não tentar explicar
Melhor tentar fugir
Melhor que tentar, conseguir.
Vontade?
Teimosia?
Burrice?
Melhor não tentar explicar
Melhor tentar fugir
Melhor que tentar, conseguir.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Quem nunca viu, vai ver!
Com um pouco de tempo livre, descobrem-se marravilhas. Finalmente entrei na exposição permanente do CCSP - Cantos Populares do Brasil: A Missão de Mário de Andrade. Já sabia que se tratava de uma pesquisa sobre cantos e danças tradicionais do Brasil, feita na década de 30. Só não imaginava que a pesquisa fosse tão extensa e que os resultados - documentários em áudio e vídeo, além de fotos - tão incríveis. A equipe enviada por Mário, então diretor de Cultura da cidade de São Paulo, para as regiões Nordeste e Norte, foi fundo no ideal de redescobrir o Brasil popular, ao qual chamamos, correta ou incorretamente, de folclórico. Bois-Bumbás, Rodas de Coco, Babassuês, Tambores de Crioula e Congadas são manisfestações retratadas nesse trabalho tão rico. As misturas de ritmos, danças, instrumentos e, principalmente, de culturas - africanas, indígenas, européias - estão nesse trabalho. Para quem se interessa por cultura popular, essa exposição é obrigatória. Além das demonstrações feitas em diversos cantos do Pará, Pernambuco e Paraíba, a história de cada tradição é narrada, trazendo à tona um Brasil que vai muito além do Sudeste. Catimbós, cujos mestres de terreiro relutam em se deixar filmar, trazem um sincretismo que é muito mais do que macumba ou pajelança. Os cocos, que têm o ritmo marcado com as palmas das mãos, eram uma alternativa à falta de instrumentos. A história das Congadas trata das coroações de reis e rainhas africanos, escravos, nos cativeiros coloniais. As coroações reprimidas pelos brancos deixaram de acontecer. Mas a dança e a música, nunca. Os pôsteres da exposição são um registro de brasileiros simples, de pés descalços, com seus sorrisos desdentados nos rostos, felizes, cantando e dançando, mas, sobretudo, conservando suas raízes. No livro de visitas, alguém acertamente deixou anotado que o BraZil não conhece o Brasil. Acho que não só o BraZil. O próprio BraSil não se conhece. Além da exposição, podemos entender um pouco mais dessa nossa miscelânea riquíssima no programa Cultura Ponto a Ponto, da TV Cultura, exibido aos dimingos, às nove da noite. O grupo Afromacarrônico, sempre em cartaz às quartas, no Ó, é uma outra fonte valiosíssima. Não custa quase nada. E não tem preço.
C´est fini
Foram doze anos. Alguns me perguntam se estou triste. Outros se estou aliviada. Não sei dizer. Ainda estou saboreando o gosto de algo que eu desejei e que, por fim, aconteceu. Não me "pesou" tomar a decisão. Mas não tomá-la, ou não poder tomá-la, me pesava toneladas. Por outro lado, sinto muita gratidão. Gratidão é um sentimento bonito. Talvez, o mais bonito de todos. Tenho gratidão por esses doze anos de convivência com as criaturas mais diferentes, por aprender sempre e sempre, seja algo aparentemente bobo, ou vital. Gratidão pelas pessoas que foram mais do que colegas de trabalho: foram carinhosas, calorosas, acolhedoras e me deram muito mais do que uma colaboração corporativa. Gratidão tenho porque nesses doze anos de convivência conheci e conquistei os meus mais queridos amigos.
Agora, as possibilidades se abrem. Já sei que vou ter que manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo, como diz a música do Walter Franco. Não estou tão acostumada assim aos desafios. Mas quero encará-los, abraçá-los, enfrentá-los. Fazer o que eu gosto? Mais do que isso. Experimentar. A vida sem experimentação é que nos dá os sintomas do cansaço, da acomodação, da falta de coragem. E tudo o que eu quero agora é o oposto disso tudo: do latim, animus: ânimo, energia, audácia, vontade, inclinação, PAIXÃO. Se é assim, então vamos lá!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Dica
Entrevistada do Entrelinhas de ontem, Ivana Arruda Leite é contista de mão cheia. Já publicou alguns livros, que pretendo conhecer em breve. Por enquanto, me delicio com os contos e crônicas jogados na net.
Receita para comer o homem amado
Pegue o homem que te maltrata, estenda-o sobre a tábua de bife e comece a sová-lo pelas costas. Depois pique bem picadinho e jogue na gordura quente. Acrescente os olhos e a cebola. Mexa devagar até tudo ficar dourado. A língua, cortada em minúsculos pedaços, deve ser colocada em seguida, assim como as mãos, os pés e o cheiro verde. Quando o refogado exalar o odor dos que ardem no inferno, jogue água fervente até amolecer o coração. Empane o pinto no ovo e na farinha de rosca e sirva como aperitivo. Devore tudo com talher de prata, limpe a boca com guardanapo de linho e arrote com vontade, pra que isso não se repita nunca mais.
(Ivana Arruda Leite)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Um ano
Há exatamente um ano atrás, eu vivi o momento mais triste da minha vida. O momento que eu sempre temi e que eu sempre afastava do pensamento, tentando fazê-lo parecer remoto. Perder a minha avó foi perder a minha melhor amiga da infância. Dona Maria não era só uma avó permissiva, que me deixava fazer travessuras e comer doces, ao invés de legumes. A minha avó participava das brincadeiras comigo e gostava, tanto ou mais do que eu, de todas as tranqueiras que dizem que as crianças não devem comer. Ela era a boneca em quem eu experimentava penteados, a vítima das minhas comidinhas de água e pedrinhas, minha entrevistada constante e favorita, além de jurada dos "espetáculos" que eu, minha irmã e minha prima inventávamos. Sua penteadeira (só as avós têm penteadeiras) era o meu brinquedo mais divertido. Tirava tudo do lugar e dispunha cada vidro, cada objeto, do jeito que eu bem entendesse, sem que ela se queixasse ou ralhasse comigo. Ela adorava quando eu ia na vendinha e voltava toda feliz, munida de suspiro cor de rosa, doce de abóbora de coração, pés de moleque ... Antes de ser a avó protetora, Dona Maria era a amiga cúmplice. Em junho, me ajudava a fazer cola de farinha para pendurar bandeirinhas pela casa inteira e, depois, levava sozinha, todas as broncas dos adultos - esses seres incompreensivos e estraga-prazeres. À noite, quando eu teimava em ficar acordada, ela me contava histórias que nada tinham a ver com fábulas infantis. Eram histórias meio trágicas, de gente real, que ela ouvia no rádio, e depois recontava, carregando no suspense. Eu ficava vidrada, querendo saber o final, e ela saboreava a minha impaciência. Um dia, rimos horas e horas de uma bobagem que vimos na TV. Ninguém achou a menor graça, mas eu e minha amiga nos contorcíamos com dor na barriga, de tanto achar engraçado. Foram tantos bolinhos de chuva, pipocas, cocadas que dividimos ... Tanta alegria que compartilhamos! Quando eu me machucava ou ficava com febre, era sempre a minha mãe que eu queria; afinal, nesses momentos, sempre queremos a proteção de gente grande. Depois que eu cresci, a distância surgiu. Eu deixei de gostar daquelas brincadeiras, daquelas guloseimas. E minha amiga continuava ali, criança, no seu corpo de setenta e tantos anos. Na tarde em que minha mãe ligou pra dizer que a minha melhor amiga da infância estava muito doente, andando pela rua, eu senti o asfalto sumindo sob os meus pés. Entendi o significado da palavra "desnorteada". E na noite do dia 22, quando me ligaram do hospital dizendo que ela havia partido, chorei várias perdas diferentes: a avó querida, a amiga companheira e a infância de doces baratos e brincadeiras improvisadas que ficava, definitivamente, para trás.
Coincidentemente, acabo de reler O Pequeno Príncipe, esse clássico da literatura infantil tão necessário aos adultos de hoje. A minha avó nunca leu O Pequeno, mas na sua perspicácia de mulher humilde, entendeu que a lógica dos adultos não fazia sentido. Por isso, escolheu viver como criança, cativando todos que passaram pela sua vida. No livro, a partida dos amigos é sempre motivo de tristeza. Mas sempre uma tristeza consolada pela certeza de que uma vez cativados, os amigos se conectam para sempre.
Talvez eu precise olhar mais pro céu, à procura de rosas preciosas.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Louco é quem não diz
É muito fácil enlouquecer
A loucura anda por aí; sempre à espreita, sempre com fome
Anda seus passos surdos, discreta, matreira
Daqueles que já sucumbiram ela faz o que bem quer
Qual dona-de-casa mandona, impõe a ordem dos móveis e a cor das paredes
E assim, desafiante, dominadora, desfila suas formas sinuosas
Há os que seguem aos berros, sujos e despidos
vociferando impropérios, rindo do mundo limpo e são
Há os que repetem as vozes de todos os demônios
que a dona da casa convidou pra almoçar
E há ainda os que babam, urinam, defecam,
peidam e escarram, sem se esconder, sem se importar
Aliás, a loucura não quer saber se haverá quem os limpe,
quem os lave e lhes dê de comer
Ela só quer reinar soberana, exercer seu mandato
A ordem dessa senhora pode ter contornos menos brutos, mais elaborados: a angústia que arde, a crueldade que dorme, a depressão que derrota
Não se sabe ao certo se a loucura escolhe ou é escolhida
Apenas que se embrenha através dos excessos: os fracos demais, os indiferentes demais e os que pensam demais
Outra coisa da qual se tem certeza é que a loucura se alimenta dia a dia, nos comedouros imundos do mundo
Mundo que exalta os ricos, os bem-sucedidos, os impecáveis em trajes de festa
Mundo que rejeita a solidão e vende felicidade como um bem de consumo
Mundo que despreza os poetas, os desregrados e os justos
O mundo engorda a loucura
E ela está cada dia mais forte, valente, potente
Exatamente como o mundo quer
E sempre com fome, sempre à espreita
Somos todos terrenos férteis, produtivos
protegidos por cercas sem eletrificação e cães desdentados
Onde será o próximo acampamento?
A loucura anda por aí; sempre à espreita, sempre com fome
Anda seus passos surdos, discreta, matreira
Daqueles que já sucumbiram ela faz o que bem quer
Qual dona-de-casa mandona, impõe a ordem dos móveis e a cor das paredes
E assim, desafiante, dominadora, desfila suas formas sinuosas
Há os que seguem aos berros, sujos e despidos
vociferando impropérios, rindo do mundo limpo e são
Há os que repetem as vozes de todos os demônios
que a dona da casa convidou pra almoçar
E há ainda os que babam, urinam, defecam,
peidam e escarram, sem se esconder, sem se importar
Aliás, a loucura não quer saber se haverá quem os limpe,
quem os lave e lhes dê de comer
Ela só quer reinar soberana, exercer seu mandato
A ordem dessa senhora pode ter contornos menos brutos, mais elaborados: a angústia que arde, a crueldade que dorme, a depressão que derrota
Não se sabe ao certo se a loucura escolhe ou é escolhida
Apenas que se embrenha através dos excessos: os fracos demais, os indiferentes demais e os que pensam demais
Outra coisa da qual se tem certeza é que a loucura se alimenta dia a dia, nos comedouros imundos do mundo
Mundo que exalta os ricos, os bem-sucedidos, os impecáveis em trajes de festa
Mundo que rejeita a solidão e vende felicidade como um bem de consumo
Mundo que despreza os poetas, os desregrados e os justos
O mundo engorda a loucura
E ela está cada dia mais forte, valente, potente
Exatamente como o mundo quer
E sempre com fome, sempre à espreita
Somos todos terrenos férteis, produtivos
protegidos por cercas sem eletrificação e cães desdentados
Onde será o próximo acampamento?
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Cor de rosa
podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano
(Paulo Leminski)
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano
(Paulo Leminski)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
E então?
Ando sem paciência pra escrever. Ou sem coragem. Na verdade, sem paciência pra pensar, pra organizar idéias. Ou será que ando preguiçosa pra sentir? Às vezes, sinto apatia e me deixo perder nesse limbo do não estar. Ando sem paciência pras pessoas também. Ou para as suas praticidades e aborrecimentos cotidianos. Não tenho me interessado pelo escândalo do cartão corporativo nem pelas eleições americanas. O verão, minha estação preferida, tem passado sem me entusiasmar. Ao redor, tudo tem a mesma cor, o mesmo cheiro, uma luz incessante. Não consigo me sentir parte de nada, compartilhando o que quer que seja. Nem medo de estar sendo um ser humano horroroso eu consigo ter, apesar da desconfiança. Parece que estou em férias de mim mesma, esperando alguma coisa religar. E me sinto fraquejar numa tentativa frouxa, mais que tímida, de me religar ao mundo. Acho até que faz sentido esse esquecimento existencial. Afinal, pausa para uma vida nova. Mudanças ansiadas, acertadas, contagem regressiva. Acho que a ansiedade chegou num ponto de saturação e se transformou em morosidade psíquica, ou, trocando em miúdos, tico e teco estão exaustos. Não só tico e teco. Estou toda exaustão, que não é cansaço físico: é fadiga de ser, de querer, de não ter. Talvez ilustre essa mornidão, o meu melhor momento dos últimos meses: o anestesista me pedindo pra respirar fundo, avisando que eu ia começar a sentir muito sono, a voz dele ficando cada vez mais longe, um torpor delicioso, total ... Mas sei que isso tudo vai passar, como já passou tantas outras vezes. Sei que essa é uma crise pontual e que esse vazio não é consistente o suficiente pra me entorpecer de verdade. Sempre haverá um samba pra estufar o meu peito de ar, uma letra antiga pra eu cantar até perder o fôlego. Isso sem falar nas amigas queridas e no rostinho cada vez mais lindo da Gabi.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Quanto riso, óh, quanta alegria ...
Tenho me sentido um salão de baile de Carnaval. Não necessariamente pela alegria inescapável e até compulsória. Tô falando é dos mais de mil palhaços mesmo.
Kalter Wind
Van, tá frio aí em Frankfurt? Porque tá tão frio aqui no meu coração. Tá tão apertado de saudade da sua voz mansa me consolando, me dizendo "ô, amiga, não fica assim". Que falta faz a sua atenção sincera, a sua preocupação de verdade! Você se lembrando de perguntar se passou, se sarou, se eu tô melhor. Você me dizendo que, se eu precisar de alguma coisa, é pra ligar meeeeesssssmo. Você se oferecendo pra resolver qualquer coisa que pudesse facilitar minha vida. Saudade de você rindo das minhas histórias, da minha "falta de sorte"; saudade da sua solidariedade bem humorada. E de você checando minhas intenções, meus passos, meus olhos ... pra saber se estavam secos ou molhados, decididos ou turvos.
Ai, amiga, que sorte têm esses frankfurtianos! Eles te têm tão perto. Se um vento de sorte soprar, te esbarram e descobrem der beste freund der welt.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Pescando o amor
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Casamento - Adélia Prado
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Casamento - Adélia Prado
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Basta sonhar com você
Uma manhã de verão outonal, sem o sol forte e com as folhagens das árvores dançando embaladas pelo vento. Eles estavam parados quase na esquina, ainda sobre a calçada. Ele, bem mais alto, vestia uma malha dessas que parecem ter sido recém tiradas da gaveta, ainda com o cheiro bom da última lavada. Ela, miudinha, preparada para mais um dia de trabalho: bota, casaco, guarda-chuva ... Ele segurava o rosto dela entre as mãos e a retinha, sorrindo, sussurando, ajeitando-lhe o cabelo. Ela sorria de volta e ouvia paralisada. Ele não queria que ela fosse. E tudo que ela queria era ficar. Talvez ele estivesse desejando-lhe um bom dia, ou recomendando-lhe cuidado no trajeto. Talvez estivesse agradecendo a noite que tiveram, o jantar improvisado, o vinho derramado, o amor demorado. Talvez estivesse apenas sorvendo mais um pouco do seu cheiro matinal: shampoo e sabonete. Maravilhava-se por ela ser incrivelmente cheirosa sem uma gota de Chanel. Um beijo e ele a envolveu nos braços de novo. Apertava-a contra si, de olhos fechados. Afastou-a e fixou-se novamente nos seus olhos. A expressão do seu rosto agigantava e tomava conta de tudo. Sempre sorrindo, ele repetia alguma coisa. Ela tentava, sem convicção, se esquivar dos seus carinhos. Olhava o relógio e tentava partir. Ele lhe deu mais uma abraço aconchegante, beijou-lhe os lábios e, finalmente, a soltou. Ela saiu a passos curtos. Olhava pra trás e ele acenava, ainda parado, ainda sorrindo, ainda encantado. Depois de cruzar a esquina, de onde já não o avistava mais, ela acelerou os passos, como era seu jeito de sempre fazer. E mesmo apressada, atrasada, olhava para tudo e para todos. Queria compartilhar, repartir aquele breve instante de plenitude. O vento gelado batia no seu rosto e ela se abandonava nessa sensação. Mastigava as últimas palavras que tinha ouvido e tentava espantar aquele seu medo tão íntimo. Ainda sentindo-se abraçada por ele, lembrou das manhãs em que, após uma noite perfeita, tudo o que restava era um "bom dia" sonolento e sem entusiasmo, às vezes seguido de um "depois a gente se fala". Ou das madrugadas em que dirigia sozinha pela cidade, fugindo dessa chateação. Mas não queria sentir medo; ao contrário, precisava desvanecê-lo. Precisava acreditar no quanto era interessante e merecedora de manhãs de verão outonal. Distraiu-se com o toque do celular. Era uma mensagem dele: "Sonhei que você esteve aqui. O seu cheiro está em toda parte. Hoje eu faço o jantar".
*
Um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo se for por você
Um homem pode tapar os buracos do mundo se for por você
Pode inventar qualquer mundo, como um vagabundo se for por você
Basta sonhar com você
*
(Moto Contínuo - Edu e Chico)
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Modinha para Gabriela
Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela, ê, meus camaradas
Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela ... sempre Gabriela
Quem me batizou, quem me nomeou
Pouco me importou, é assim que eu sou
Gabriela ... sempre Gabriela
Eu sou sempre igual, não desejo o mal
Amo o natural, etc e tal
Gabriela ... sempre Gabriela
(Dorival Caymmi)
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela, ê, meus camaradas
Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela ... sempre Gabriela
Quem me batizou, quem me nomeou
Pouco me importou, é assim que eu sou
Gabriela ... sempre Gabriela
Eu sou sempre igual, não desejo o mal
Amo o natural, etc e tal
Gabriela ... sempre Gabriela
(Dorival Caymmi)
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Amor perfeito
Talvez porque minha ânsia de amar seja tão grande, eu esteja com todos esses freios puxados.
Sim, movimento contrário. Parece maluco, mas é o meu jeito de ser tão fiel a mim mesma. Não, eu não quero alguém perfeito. Eu quero um amor perfeito. Um amor perfeito, sob medida pra mim. Com toda a insipidez e toda a explosão contida dentro de alguém. Qual é o amor pefeito? Aquele que eu consiga sentir com todos os meus sentidos, com o corpo e a alma.
Talvez eu precise, sim, dar mais chance prum amor acontecer. Talvez eu confuda mesmo amor com atração. Talvez, talvez ... Eu não preciso mesmo de certezas. Eu só preciso viver.
*
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã
*
(Estrela da Manhã - Manuel Bandeira)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Vida, Chico, Vida
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Vida - Chico Buarque
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Vida - Chico Buarque
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Creer
Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção
(Românticos - Vander Lee)
Essa música me lembra uma outra espécie em extinção - o lobo guará.
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção
(Românticos - Vander Lee)
Essa música me lembra uma outra espécie em extinção - o lobo guará.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Bonne anne
Ano que começa estranho, atrapalhado, com perdas irrecuperáveis, já há muito anunciadas, porém só agora concretizadas; outras perdas que, na verdade, serão ganhos, e promessas de ventos desconhecidos. Eu preciso velejar!
Venha ano novo, venha ano bom.
Venha, tempo, traga seu peso, sua força.
Faça com que eu me lembre sempre de ser eu, e sempre de quem eu sou.
Senhor tempo que não pára, obrigada!
Você zera os seus ponteiros e começo a zerar os meus. E esse cheiro de recomeço no ar. Cheiro de novidade, visão de ciclos fechados, sentimento de feridas que não latejam mais.
Cheiro de mar, cheiro de 31 de dezembro, 0:00, olhando pro mar.
Iemanjá soprando amor ...
Cheiro de amor.
Amor que transborda, que é tão necessário. Amor.
Eu quero um ano novo, em que eu possa ser amante de tudo o que eu faça, e de todos que estiverem cá camigo.
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